Com o desenvolvimento da Tomografia Computadorizada Multislice aumentaram os exames desta modalidade aplicados à acompanhar determinadas moléstias crônicas. Desta forma crianças que são acometidas por estas doenças acabam recebendo dosagens de radiação excessiva já que a Tomografia é um método que se utiliza de Raios X.
Essa preocupação atingiu o Colégio Americano de Radiologia que juntamente com a Sociedade Americana de Pediatria desencadeou uma campanha mundial de controle do uso de exames com radiação ionizante em crianças, particularmente a Tomografia, através de um protocolo conhecido como ALARA.
Recentemente o Dr. André Scatigno publicou artigo no Jornal do INRAD esclarecendo a população sobre essa campanha e os propósitos da mesma. Veja os detalhes>>>
“Por iniciativa do American College of Radiology e da American Society of Pediatric Radiology teve início um movimento global que pretende conscientizar os especialistas da área em todo o mundo sobre os riscos do uso de altas doses de radiação ionizante em crianças.
Crianças portadoras de doenças crônicas realizam exames de imagem sempre que necessários, mas muitas vezes em exames seriados podem ser dispensadas algumas fases do protocolo regular do exame, realizando-se apenas algumas etapas, que permitem a análise evolutiva da moléstia. Isto se aplica especialmente às doenças pulmonares. Desta forma se evita a radiação desnecessária.
O movimento que recebe o nome de Radiação Segura em Imagem Pediátrica (“As Low As Reasonably Achievable ou Image Gently”) tem como foco principal os novos equipamentos de tomografia computadorizada (multislice) que produzem imagens de alta qualidade, mas com excessivo uso de radiação e podem trazer graves conseqüências para as crianças examinadas pelo método.
A grande maioria dos radiologistas e pediatras estão conscientizados dos riscos de uma utilização inadequada dos métodos de imagem, porém, ainda existe um contingente de especialistas que desconhecem as doses produzidas por estes novos equipamentos e seus riscos para os pacientes periátricos.
O movimento “Image Gently” é presidido pela Dra. Marilyn Goske, the Cincinnati Children’s Hospital , em Ohio , Estados Unidos.
Criado nos Estados Unidos, a campanha expandiu-se globalmente e hoje reúne 43 organizações, representando cerca de 600 mil profissionais do mundo todo, entre radiologistas, físicos, tecnólogos e companhias que desenvolvem equipamentos de imagem diagnóstica, que reconhecem a campanha como um dos passos mais importantes para determinar a boa qualidade de exames diagnósticos.
O movimento enfatiza que os exames sejam realizados somente quando bem indicados. Cabe ao radiologista adequar o exame às necessidades do paciente em idade infantil, se um exame para diagnóstico , ou um exame de acompanhamento evolutivo, incluindo a responsabilidade do clínico para sua solicitação.
O que acontece, tanto no Brasil , como em outras localidades , é que muitas crianças são examinadas por radiologistas que não têm o treinamento especializado em radiologia pediátrica.
Outro foco da campanha é a família. Os pais devem ser informados sobre os riscos envolvidos. Para atender a todos esses segmentos, a campanha desenvolveu informativos impressos, além de disponibilizar na internet (WWW.imagegently.org) o protocolo ALARA (“As Low as Reasonably Achievable, ou “tão baixas quanto razoávelmente exequíveis”) que estabelece protocolos de exames.
O objetivo deste movimento é levar a todos essa preocupação em reduzir a exposição dos pacientes à radiação.
Dr. André Scatigno Neto
Diretor do Serviço de Radiologia – Instituto de Radiologia HCFMUSP
*Modificado de Ponto de Vista INRAD News no 59 set 2009
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