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A Radiologia e o Mercado de Trabalho
 

O mercado de trabalho na radilogia e suas especialiades passa por uma crise sem precedentes. Existe um número cada vez mais significativo de médicos que trabalham com diagnóstico por imagem sem atividade, com atividade parcial ou com subemprego.
Hoje, um médico que sai da residência ganha em reais a metade do que recebia a três anos. Este fenômeno não atinge apenas os profissionais com formação deficiente, mas também médicos com residência nas melhores escolas e com título de especialista.
As razões desta crise estão relacionadas com a saturação do mercado pela abertura de inúmeros "serviços de imagem".

Além das clínicas especializadas, surgiram também os laboratórios de análises clínicas e clínicas de outras especialidades, que passaram a realizar estes procedimentos.
A saturação levou à deterioração progressiva dos valores pagos pelos exames e à implosão da tabela da AMB em muitos Estados do País.

O congelamento de preços, desde o plano Real, prejudicou o desempenho da especialidade, por causa de aumentos de custos que não puderam ser repassados numa área extremamente dolarizada em razão dos equipamentos e insumos. A crise cambial de janeiro provocou enorme perda financeira na área diagnóstica, que não poderá ser recuperada a médio prazo.
Os seguros-saúde, por outro lado, também atingidos pela crise financeira, passaram a reduzir a utilização de exames, além de negociar valores mais baixos.

Grande parte das cooperativas médicas passam por dificuldades financeiras, prevendo a renegiciação de contratos.
Os fatores mais importantes para a crise são o excesso de oferta, a remuneração em declínio, a crise do sistema de saúde público e privado e a dependência do câmbio nos financiamentos, equipamentos e insumos.

A perspectiva ou a realidade são bastante sombrias para um mercado que floresceu durante vinte anos. O resultado são clínicas em dificuldades e um mercado em retração.
O futuro aponta para a sobrevivência de quem faça boa administração, dos grandes Serviços ou corporações e dos serviços que consigam ter qualidade a um preço competitivo.
É necessário começar a ajustar a demanda de profissionais a esta nova realidade. Há alguns anos, no Hospital das Clínicas, reduzimos o numero de vagas para a residencia Médica e, recentemente, suspendemos o Curso de Especialização, por acharmos que o mercado não comporta este número de profissionais a curto prazo. Infelizmente, nossas projeções eram corretas.

Neste momento de reflexão, devemos procurar a qualidade e não a quantidade. Tenho certeza de que bons especialistas sempre acabarão sobrevivendo.


Giovanni Guido Cerri.

 

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